Cubix
O primeiro jogo de plataformas 3D para o ZX Spectrum

Uma proeza técnica com gráficos 3D rotativos que desafiam os limites do ZX Spectrum. Entra num labirinto tridimensional onde cada cubo, cada movimento e cada rotação contam. Navega por estruturas 3D cheias de profundidade, resolve puzzles complexos e domina perspetivas que mudam a forma como vês o ecrã. Com gráficos vibrantes, animações suaves e uma jogabilidade viciante, Cubix mostra que o Spectrum ainda tem muito para dar. Prepara-te para um desafio tridimensional único e surpreendente!

Ficha técnica

Título: Cubix
Ano(/Mês): 2025
Editor (Origem): Gogin (Russia)
Programador(es): Gogin; Art-Top; UriS; Eugene Rogulin
Género: Plataformas; Tower climbing; Puzzle solving
Cpu: ZX Spectrum 128K
€: Gratuito
Url: yrgb.org

Comentário

O meu primeiro contato com este jogo foi na revista Break Space, e posteriormente na revista Crash Micro Action. Em ambas as publicações, é mencionada a influência que os jogos Nebulus e Fez tiveram no desenvolvimento deste jogo. Confesso que, até este momento, não tinha conhecimento do Fez. Quanto ao Nebulus, posso afirmar que passei horas intermináveis a jogar, especialmente a versão para o Commodore 64.

Razão mais do que suficiente para experimentar o Cubix!

Após carregar o jogo, antes do menu principal, aparecem diversas telas onde são identificados todos os que participaram ou contribuíram para a sua criação, além de parcerias e do reconhecimento de que foi desenvolvido especialmente para o Yandex Retro Games Battle 2025, bem como a inspiração principal — o jogo Fez.
O jogo começa com uma introdução que estabelece o local onde a ação decorre e apresenta os personagens: o Hexatron, o vilão, o senhor do caos, e o Bix, o herói. Este terá de subir seis torres, recuperar as seis faces do talismã e expulsar o Hexatron de volta para a dimensão das sombras.

Parece fácil, mas não é!

Num universo distante, onde as leis da geometria e da física se regiam pela simetria e pela harmonia, vivia um povo incrível: os Cúbicos.
O seu mundo era construído a partir de cubos perfeitos: torres cúbicas erguiam-se em direção a um céu cúbico. As cidades cintilavam com características cúbicas e a própria vida cúbica fluía pacíficamente.

No coração deste mundo jazia o Talismã Sagrado – um dado mágico que irradiava equilíbrio e ordem. As suas seis faces simbolizavam os seis fundamentos do universo cúbico: Força, Sabedoria, Coragem, Unidade, Mistério e Destino.
Enquanto o Talismã permanecesse intacto, o povo prosperaria.

Mas um dia, um vilão misterioso surgiu da Dimensão das Sombras, o senhor do caos, Hexatron. Detestava a perfeição dos Cúbicos e queria trazer desordem à sua harmonia.
Hexatron roubou o Talismã e, usando magia negra, dividiu-o em seis faces separadas. Cada uma foi escondida no topo de uma Grande Torre, repleta de labirintos e armadilhas.

Com a quebra do Talismã, o mundo dos Cúbicos começou a ruir: as suas torres perderam a forma. As leis da física foram distorcidas e os próprios habitantes começaram a perder a sua individualidade, transformando-se em cubos cinzentos sem rosto.
Mas um permanece...

Bix, um Cúbico comum que de alguma forma escapou à maldição, decide desafiar o destino, resolvendo escalar cada uma das torres, superar as provações traiçoeiras, recolher cada fragmento do Talismã e restaurá-lo à sua ordem original.
Só assim Hexatron será banido e a paz regressará ao seu povo.

O primeiro nível começa como um jogo de escalada de torres simples em 2D, no qual vamos compreendendo a mecânica do jogo e nos vamos habituando aos controlos e à forma como o Bix responde. Já temos uma pequena amostra dos inimigos que enfrentaremos ao longo da caminhada e percebemos que, por vezes, será necessário recolocar alguns cubos para progredir na escalada, antevendo-se a necessidade de resolver puzzles cada vez mais complexos à medida que avançamos no jogo. Após alguns andares, deparamo-nos com um bloco com a inscrição "3D", que só podemos apanhar após completarmos um pequeno puzzle com quatro cubos.

Et voilà, visão 3D! Algo nunca antes visto no ZX Spectrum, pelo menos não desta forma. Por incrível que pareça, nada muda: o detalhe, a animação, a fluidez, a resposta aos comandos, a música, tudo permanece inalterado. Na minha opinião e na opinião de Paul Davis (Crash Micro Action No. 29, pág. 8-9, 2025), o 3D deste jogo é superior ao 3D visto no Nebulus. O 3D que vemos aqui é transparente, permitindo ver para além do plano em que nos encontramos, ao contrário do 3D opaco do Nebulus. A partir daqui, o jogo torna-se naquilo para que foi desenvolvido: um jogo de escalada de torres em 3D e um jogo de resolução de puzzles não linear, em que por vezes é necessário descer alguns andares para depois voltar a subir.
Quanto ao som, o jogo tira partido do chip AY, apresentando uma melodia harmoniosa que acompanha a ação e a velocidade do jogo sem interferir com os seus sons, conferindo-lhe a atmosfera ideal.

Sem me alongar mais, até porque também ainda não completei a terceira torre, resta-me dizer que, estamos perante um upgrade do Nebulus, ou até mesmo um demake do Fez, visualmente espetacular, viciante, e por vezes, frustrante. Felizmente, hoje em dia, podemos ir gravando o nosso progresso...

Prémios e distinções

"A Crash Smash" na edição Crash Micro Action N.º 29, (Ago/Set. 2025, p. 8-9)
"Break Space Ace" na edição Break Space N.º 03, (Out 2025, p. 8-9)
1.º lugar nas categorias jogabilidade, som e escolha dos jogadores no YRGB 2025
2.º lugar na categoria gráficos no YRGB 2025