Castlevania: Spectral Interlude
A série Castlevania finalmente no ZX Spectrum

O legado dos Belmont renasce no ZX Spectrum! Castlevania: Spectral Interlude traz uma aventura inédita, criada com mestria para extrair cada gota de poder da máquina. Explora florestas assombradas, fortalezas esquecidas e cavernas onde espectros aguardam em silêncio. Domina o chicote, descobre segredos ocultos e enfrenta criaturas que desafiam a tua coragem. Gráficos detalhados, animações fluidas e uma banda sonora atmosférica fazem deste jogo uma homenagem imperdível à saga. A escuridão ergue-se… estás pronto para enfrentá‑la?

Ficha técnica

Título: Castlevania: Spectral Interlude
Ano(/Mês): 2015
Editor (Origem): Rewind Team (Rússia)
Programador(es):
    Programação: Aleksander Udotov (SaNchez)
    Música: Vladimir Tugay (darkman007)
    Gráficos: Aleksey Golubtsov (diver4d)
    Argumento: Lev Grinberg
Género: Arcade; Aventura; RPG
Cpu: ZX Spectrum 128K
€: Gratuito
Url: https://bit.ly/4rNQUas

O Jogo

Castlevania no ZX Spectrum? Porque não! Afinal, o primeiro jogo da série Castlevania foi desenvolvido para os 8-bits da Famicom/NES.

Embora tenha sido originalmente concebido como um demake de Castlevania II: Simon's Quest, a Rewind Team desenvolveu um título totalmente original que preenche a lacuna da narrativa entre Castlevania Symphony of the Night e a era pós-Belmont.
Ambientado no início do século XIX, algumas décadas após os eventos de Symphony of the Night, o jogo é protagonizado por Simon Belmont, filho de Richter Belmont, que recebeu o nome do seu antepassado. O mundo está em paz desde que Alucard, o filho de Drácula, derrotou a forma possuída de Richter Belmont e o clã Belmont caiu, em grande parte, no esquecimento.

Começamos, então, como um jovem caçador de vampiros a treinar/vaguear num cemitério, mas somos imediatamente arrastados para uma missão destinada a impedir a ressurreição de Drácula, orquestrada por um misterioso feiticeiro chamado Joseph. A história é surpreendentemente densa para um jogo ZX Spectrum, recorrendo a interações de voz e cenas cinematográficas para explicar por que razão os Belmont acabaram por desaparecer da história.

A jogabilidade é uma mistura sofisticada da ação linear dos jogos originais com o estilo exploratório em que os elementos RPG rapidamente assumem o controlo do jogo. A ação não se limita a mover-se da esquerda para a direita, o jogo utiliza um impressionante scroll multidirecional, uma característica raramente vista no hardware ZX Spectrum. Com mais de 150 ecrãs, o mundo do jogo é vasto e interligado. Simon terá de recolher 28 peças de altar para invocar o Drácula e 8 placas metálicas para aumentar o poder do seu chicote. Fiel ao género Metroidvania, a derrota dos bosses concede-lhe melhorias permanentes, como um salto duplo ou a capacidade de teletransporte. Características essenciais para regressar a áreas anteriormente inacessíveis.

O que mais se destaca ao jogar é a forma como a Rewind Team contornou as limitações do hardware. O jogo mantém o característico color clash do ZX Spectrum, mas utiliza-o, e tira partido dele para criar uma atmosfera densa e gótica. Os gráficos são grandes, detalhados e movem-se com uma suavidade comparável à dos títulos oficiais da NES, não se notando qualquer abrandamento quando o ecrã fica ocupado — parece que terá sido utilizada uma técnica que envolve o controlo do número de fotogramas que é exibido em função dos elementos que estão presentes no ecrã, permitindo que a velocidade do jogo não se degrade e que a resposta aos comandos se mantenha estável.

O chip de som AY-3-8912 do 128K é levado ao limite. A banda sonora é constituída por 12 músicas, sendo que algumas são covers de temas clássicos e outras são temas originais, todos eles genuinamente cativantes, que intensificam a já atmosfera gótica.

Comentário

Não nos deixemos enganar: o jogo é enorme e extremamente difícil. Há secções de plataformas que exigem uma precisão milimétrica nos saltos, inimigos que surgem por todo o lado e bosses difíceis de derrotar, tornando o jogo numa verdadeira tarefa quase impossível. Os gráficos são extraordinários e não ficam nada a dever aos dos jogos da NES e, arrisco-me a dizer, da SNES. A música e os efeitos sonoros que nos acompanham ao longo da nossa jornada são suficientes para criar e intensificar as diferentes atmosferas consoante o local onde nos encontramos: o cemitério, a citadela, a floresta, o castelo ou com quem estamos a interagir. Tudo isto cria uma certa dependência que só desaparece quando acabamos o jogo.

Acreditem, demorei mais de dois meses a derrotar o Drácula, e isso recorrendo à possibilidade de gravar o progresso (e alguns pokes!!!). Até há uns dias atrás, estava convencido de que tinha acabado o jogo, até que, por acaso, descobri que tem dois finais distintos. E ainda bem, pois o final que tinha visto deixava um certo amargo de boca, como se costuma dizer.

  • Final 1
  • Final 2

É justo reconhecer Lev Grinberg pelo argumento do jogo, com diálogos muito bem construídos, tanto no desenrolar da história como no seu enquadramento no espaço e no tempo. E um final, que deixa a porta aberta a uma sequela. Talvez na pele do feiticeiro Joseph, à procura de um sucessor para o nosso herói.

Com uma pontuação geral de 95% e o prestigiado galardão "Crash Smash, A" da revista Crash Micro Action (Crash Annual 2018, p. 90‑91), Castlevania: Spectral Interlude não é apenas uma homenagem, mas um novo jogo totalmente integrado na narrativa de Castlevania, com um aspeto de lançamento oficial da Konami. É uma experiência essencial para qualquer fã dos jogos da série Castlevania que recria a essência das consolas dos anos 80 e 90 no ZX Spectrum.