Loxley
Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões no ZX Spectrum

snippet_image Há 830 anos, Ricardo «Coração de Leão», rei de Inglaterra, partiu para a Terceira Grande Cruzada com o objetivo de reconquistar a Terra Santa.
Robin de Loxley, um dos nobres leais que marchavam sob a bandeira do rei, sobreviveu à guerra e conseguiu regressar a casa. Ao chegar, encontrou o seu pai assassinado e as suas propriedades confiscadas pelo malvado xerife de Nottingham, que aproveitou a ausência do rei para aumentar o seu poder. Jurando vingar o seu pai e combater o tirano xerife, Robin foi forçado a tornar-se um fora-da-lei. Fundou a Escola dos Ladrões para treinar uma força rebelde na Floresta de Sherwood. Ao saber da crescente força rebelde em Sherwood, o xerife, num acesso de raiva, raptou Lady Marian, o único e verdadeiro amor de Robin. Robin deve preparar-se para se infiltrar no Castelo de Nottingham, a fim de impedir que o xerife se case com ela e para se vingar das injustiças que lhe foram infligidas.

Ficha técnica

Título:
Loxley
Ano(/Mês):
2022/02
Editor (Origem):
World XXI Soft Inc (Argentina)
Programador(es):
Código:
Ariel Ruiz
Gráficos:
Ariel Ruiz
Música e SFX:
Richard Armijo
Género(s):
Arcade, Ação, Aventura, Plataformas
Sistema:
ZX Spectrum 128K
Preço:
Paga o que quiseres (incluindo 0€)
Url:

O Jogo

Ecrã de Carregamento

Loxley foi desenvolvido num contexto muito específico: a participação no concurso Bytemaniacos BASIC Contest 2022. Por conseguinte, o jogo teve de cumprir uma série de regras para ser aceite na competição. Tal não só não constituiu um problema para a dupla de programadores, como foi, certamente, uma motivação para demonstrar até onde o BASIC moderno poderia levar o ZX Spectrum 128K, mostrando que, apesar das limitações, este ainda poderia ser utilizado para criar um jogo visualmente apelativo, fluido e com ambição narrativa.
Após o concurso, e já sem os constrangimentos impostos, o projeto evoluiu para uma versão final mais polida, com melhorias gráficas, sonoras e estruturais, bem como a adição dos idiomas inglês e russo.

A nível temático e estético, Loxley inspira-se no imaginário clássico de Robin dos Bosques, mas não numa versão histórica ou literária; a referência dominante é claramente cinematográfica, em particular o filme Robin Hood: Príncipe dos Ladrões (1991).
O ecrã de carregamento apresenta as três personagens principais do filme: Kevin Costner no papel de Robin de Loxley, Mary Elizabeth Mastrantonio como Marian e o saudoso Alan Rickman no papel do xerife de Nottingham e tal como no filme, a ação do jogo foca-se numa visão romântica da lenda de Robin dos Bosques, marcada pela densa Floresta de Sherwood e pelo imponente Castelo de Nottingham.

Logo após o primeiro contacto com o jogo, não é de estranhar que tenha vencido a categoria "Pure BASIC", tal é a qualidade apresentada. A introdução, carregada num bloco próprio, é por si só suficiente para deixar qualquer um de boca aberta e a pensar: "Isto é feito em BASIC?".
Aqui, somos apresentados aos personagens e ao universo de Robin dos Bosques do filme, é feito o enquadramento temporal e histórico da ação e é definido o objetivo do jogo, terminando com a emblemática cena da flecha a atravessar as árvores. Até Sir Sean Connery no papel de Rei Ricardo Coração de Leão, marca presença.

Como seria de esperar, o início do jogo coloca-nos na pele de Robin dos Bosques na Floresta de Sherwood, mais precisamente na Escola de Ladrões, onde podemos treinar as nossas habilidades com o arco e a flecha, bem como com a espada. As instruções básicas para navegarmos pelo jogo são-nos dadas pelo fiel companheiro de Robin, Azzem, personagem interpretado, no filme, por Morgan Freeman.

No interior da escola, encontramos o Frei Tuck, outra personagem icónica da narrativa. Mediante o pagamento de uma quantia em moedas — de acordo com o argumento do filme, deveria ser em barris de cerveja —, ele pode ajudar-nos a desenvolver as nossas competências no uso do arco e da espada e a aumentar a nossa força. A forma mais rápida de obter moedas é visitar os vários locais do jogo, para o que podemos contar com o nosso nobre corcel, que nos leva instantaneamente ao destino. Para tal, basta caminhar em direção ao cavalo, que se encontra sempre no primeiro ecrã de cada área, e escolher o destino no mapa apresentado.

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Ao longo do jogo, teremos de enfrentar guardas em combates de arco e flecha ou em duelos de espada, evitar cobras e morcegos, bem como resolver pequenos quebra-cabeças para alcançar os sacos de moedas. Além disso, encontramos várias outras personagens do filme que teremos de libertar ou ajudar, como Duncan, o velho escudeiro da casa de Loxley, João Pequeno e a sua família, e até Will Scarlett, o irmão bastardo de Robin.

Antes de chegarmos ao Xerife de Nottingham, temos de atravessar as catacumbas do Castelo de Nottingham e derrotar a bruxa Mortianna numa batalha cuja mecânica me faz lembrar os jogos da Nintendo Game & Watch.

Por fim, temos direito a uma cena cinematográfica em que Robin se balança do topo da torre do castelo com a ajuda de uma bandeira e entra pela janela da capela, onde o xerife tentou forçar o casamento com Marian. "Et voilà", chegamos ao nosso objetivo final: derrotar o xerife numa batalha épica e libertar Marian e o povo das garras do tirano.

O que mais me chamou a atenção neste jogo foi o nível de detalhe dos gráficos e a quase ausência do "color clash" tão característico, bem como os cenários que retratam a densa Floresta de Sherwood, com árvores largas e sombreadas em tons de verde; as aldeias, em tons de amarelo, que representam as casas de madeira com os seus telhados de palha; e os castelos e muralhas, representados por linhas verticais em tons cinzentos frios, que transportam a atmosfera medieval do filme para o ZX Spectrum.

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A ação decorre com uma fluidez fantástica e a resposta aos comandos é quase imediata, o que permite que o jogo corra sem os habituais "lags" quando há muita ação no ecrã. Nos combates de arco e flecha, o atraso entre a ordem de disparo e o disparo é mínimo, mesmo com a existência de um efeito sonoro. No caso dos combates de espada, a ação é ainda melhor, tendo em conta a maior velocidade característica deste tipo de duelos. A mecânica dos duelos faz-me lembrar os combates do jogo Sid Meier's Pirates! para o Commodore 64 e o efeito sonoro do metal contra metal é incrível.

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A banda sonora, embora não brilhante, é boa e está presente durante a introdução, durante o menu principal e durante as cenas cinematográficas de transição e final. No decorrer do jogo, o som resume-se a efeitos sonoros, alguns dos quais de grande qualidade.

Conclusão

De um modo geral, Loxley é amplamente elogiado pela crítica, sendo visto como um jogo ambicioso, bonito, tecnicamente impressionante e com uma jogabilidade sólida, tendo recebido o galardão "A Crash Smash" na edição n.º 9 da revista Crash Micro Action, com uma classificação geral de 92%.

Graças ao seu cuidado estético, fluidez técnica e fidelidade ao universo de Robin dos Bosques, Loxley afirma-se como uma das produções mais ambiciosas e surpreendentes feitas em BASIC para o ZX Spectrum. Uma aventura que merece ser jogada.

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