Pig Quest, A
Mais porcos que dragões: A demanda de Frank Further!
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A Pig Quest chega ao Commodore 64 para provar que a era dourada dos 8‑bits ainda pulsa com força. Entra na pele de um herói improvável e atravessa florestas densas e traiçoeiras, e masmorras repletas de inimigos. Cada nível é um novo desafio, com plataformas precisas, puzzles inteligentes e segredos escondidos. Os cenários vibrantes e a banda sonora cativante mostram o C64 no seu auge.
Ficha técnica
O Jogo
Nesta aventura assuminos o personagem Frank Further, um porco! Isso mesmo, um porco, que se vê confrontado com a missão de devolver o bem-estar à sua terra enquanto enfrenta hordas de inimigos ecrã após ecrã. Uma demanda que nos obriga a resolver quebra-cabeças e a abrir baús para recolher armas e armaduras temporárias sem as quais esta epopeia estava destinada ao fracasso.
A natureza não linear do jogo, os cenários animados com que somos brindados ao longo das centenas de ecrãs que o compõem, as cenas de transição cinemáticas e a banda sonora que faria inveja ao melhor que o Commodore 64 já nos ofereceu são alguns dos destaques.
Os controlos suaves e precisos, e os quebra-cabeças de solução fácil, são razões para nos proporcionar uma sensação de satisfação sempre que avançamos no jogo, minimizando a frustração de enfrentar o grande número de inimigos que aparecem; alguns dos quais teimam em não permanecer mortos.
O jogo é difícil, não pela quantidade de inimigos com que temos de lidar, mas pela simples razão de termos apenas uma vida e um tempo limite para acabar cada nível. Por isso, é fundamental planear rapidamente o melhor caminho entre as plataformas, evitando sempre que possível todos os inimigos.
Mesmo no modo mais fácil, Cute Piglet (Leitão Fofinho), tive alguma dificuldade em lidar com os morcegos do primeiro mundo, que atacam rapidamente e teimam em reaparecer, bem como com os saltos entre plataformas, que têm de ser executados com extrema precisão.
Felizmente, nas opções Young Hog (Jovem Porco) e Wild Boar (Javali), o jogo oferece a possibilidade de gravar o nosso progresso, o que ajuda bastante na nossa missão.
Tenho mesmo de concordar com a opinião generalizada de que o jogo é mais difícil na opção mais fácil.
Quanto aos gráficos, depois de ter lido muito sobre o assunto, fiquei um pouco desiludido e, sinceramente, não os acho assim tão extraordinários. Sim, estão bem conseguidos. Os cenários são bastante bons — os do nível dois são soberbos — e o facto de haver alguma animação no segundo plano cria um ambiente repleto e dá a sensação de um jogo mais "cheio" do que realmente é. No entanto, quando olhamos para o primeiro plano, o da ação, por vezes "desaparecemos", quase como se estivéssemos camuflados pelo segundo plano.
Os pontos altos do jogo são claramente a banda sonora e os efeitos sonoros. Estamos perante algo diferente: uma banda sonora memorável, composta por mais de trinta temas diferentes, todos eles adaptados à ação, com cada nível a ter a sua própria banda sonora.
Deixei para o fim aquilo que considero ser o pior do jogo: o argumento. A história não faz sentido nenhum. Mas vamos por partes:
O meu nome é Frank Further. Further (mais longe; mais além)... É um pouco irónico, pensando bem, pois nunca saí da minha aldeia. Nem o meu pai, nem o pai dele antes dele. É o mesmo para todos na nossa terra desde que as nossas quatro estátuas do bem-estar foram roubadas numa noite há muito tempo. Todos parecem estar amaldiçoados com entorpecimento, imobilidade e indiferença. Aventura, curiosidade, audácia e coragem são palavras que desapareceram do nosso vocabulário.
Nasci em Porkville e, tão certo como os deuses term criado pequenas maçãs verdes, sei que vou morrer em Porkville. Sem nunca sair do vale. Oh, não me interpretem mal. É uma planície agradável e encantadora, com pastagens verdes, árvores de fruto, cogumelos selvagens, flores e um pequeno lago bonito.
A única coisa que perturba a paz deste pequeno paraíso são os mosquitos e os pirilampos. Odeio esses insetos estúpidos e, às vezes, persigo-os. Mas tenho que lhes agradecer, pois foi durante uma das minhas caçadas mundanas que me deparei com a entrada de uma caverna... Será que esta é a minha missão? Uma missão suína?
O Shire dos Porcos: O texto descreve um mundo idílico onde o roubo das estátuas deixa os porcos amorfos. No entanto, Frank diverte-se a caçar mosquitos e, numa dessas caçadas, descobre uma gruta. Sinceramente, não consigo estabelecer qualquer ligação entre a caverna e as estátuas roubadas.
O Desvio do Nível 5: A introdução do quinto nível não faz qualquer sentido, a missão para recuperar as estátuas já estava concluída. Porque introduzir a princesa Porchetta como interesse amoroso e torná-la a heroína da história?
O Protagonista Posto de Parte: Trocar o protagonista nos últimos cinco minutos, para que uma personagem que nem estava no manual leve a glória, é um deus ex machina clássico. Do ponto de vista narrativo, ignora as regras básicas de qualquer narrativa.
Conclusão
A revista Zzap! 64 Micro Action na edição n.º 12 (jan-feb 2023, p. 12-15) atribuiu-lhe um resultado geral de 96%, o que lhe valeu o galardão máximo, o Gold Medal Award. Sinceramente, acho que foram demasiado generosos.
As opiniões dos críticos são extremamente genéricas. Há um enaltecimento exagerado dos gráficos e das técnicas utilizadas que, na minha leiga opinião, não são tão diferentes do que se faz, e do que já se fazia, no Commodore 64. Pela banda sonora, pela jogabilidade e pela capacidade de nos cativar, o jogo é merecedor de um sólido galardão Sizzler, mas na minha opinião, e porque a narrativa não faz qualquer sentido, fica aquém do Gold Medal Award.
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