Sherwood
A arte de nos fazer sentir um fora-da-lei em 64KB
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Em 2025, o Commodore 64 continua a reinar. "Sherwood", da Griffonsoft, é uma obra-prima com mais de 100 ecrãs que transforma Nottingham num campo de batalha tático. Com um sistema de mira em seis direções e uma banda sonora lendária, este jogo não é apenas uma viagem nostálgica ao passado, mas sim um jogo de ação e aventura refinado que prova que as limitações podem dar origem a grandes ideias. Pega no teu arco, a floresta está à tua espera.
Ficha técnica
O Jogo
Depois de nos trazer o universo de Alexandre Dumas com Musketeer, a Griffonsoft, também pela mão da Psytronik Software, brinda-nos agora uma aventura que mergulha no imaginário e na lenda de Robin dos Bosques.
O jogo coloca-nos imediatamente no centro da ação, sem introdução e sem explicação além daquela que é disponibilizada na documentação. Robin vence o torneio de tiro com arco, no Castelo de Nottingham, mas a última das suas próprias "flechas encantadas" acaba por o trair e desmascara-o. E assim, de um momento para o outro, deixamos de ser competidores para nos tornarmos "fora-da-lei" perseguidos pelos guardas do Príncipe João. O nosso papel é claro: escapar do castelo, reorganizar a resistência em Sherwood e proteger o povo da tirania.
Tal como no título anterior, nota-se um cuidado redobrado na construção do mundo, que com mais de 100 ecrãs é bastante maior que Musketeer. A história não segue um fio condutor rigido, e acontece naturalmente com o decorrer do jogo. Encontrar o Frei Tuck e decifrar pistas em latim ou seguir os mapas de missões secretas traz uma satisfação que já não se vê com frequência. Além disso, as mensagens curtas dos aliados no ecrã dão uma vida orgânica ao cenário. Aqui o mote "roubar aos ricos para dar aos pobres" é ilustrado pela necessidade de recolher moedas ao longo do mapa, não como um bónus, mas como uma exigência para completar o jogo, financiando o pagamento do resgate do Rei Ricardo e a compra do anel para Lady Marian.
A jogabilidade é sólida e exige cabeça. A possibilidade de disparar o arco em seis direções oferece-nos algo diferente e supera o simples combate de espada de Musketeer. O sistema de rearmamento de flechas é particularmente inteligente: as flechas são-nos deixadas pela Marian ou pelo Frei Tuck e só aparecem quando realmente precisamos delas. Aumentando o grau de dificuldade na resolução dos quebra-cabeças impedindo-nos de acumular flechas.
Tecnicamente, o jogo explora ao máximo as capacidades do Commodore 64. Os movimentos de salto e escalada são precisos. Os quebra-cabeças, que envolvem disparar contra tochas ou usar ricochetes para atingir gatilhos distantes, estão muito bem integrados. E, mesmo com cenários detalhados e animações fluidas, o jogo não sofre das lentidões de processamento que tanto nos frustravam noutros tempos.
Visualmente, Dennis Gustafsson superou-se e entregou-nos cenários que parecem ter sido pintados à mão. O Robin dos Bosques está impecável e é possível reconhecer o herói de imediato. O verde clássico da túnica salta à vista contra os tons escuros do castelo e da floresta, facilitanto nunca perdemos o herói de vista mesmo nas sequências mais rápidas e nos cenários mais "cheios". Mas, nem tudo são rosas: se o Robin e alguns dos personagens principais estão nota dez, os guardas e os animais da floresta são todos iguais sem um qualquer detalhe que os diferencie.
Mas se a jogabilidade e os gráficos são acima da média, o que dizer da banda sonora! O trabalho de David Whittaker e de Ola Zandelin com o chip SID garante uma atmosfera medieval autêntica. Desde a música de carregamento até ao efeito sonoro das flechas a bater nas pedras, tudo contribui para aumentar a sensação de fomos transportados para Nottingham e para a Floresta de Sherwood.
Conclusão
A qualidade de Sherwood foi oficialmente reconhecida pela comunidade do "retro gaming", quer ao vencer o prestigiado C64 Gamers' Choice Award 2025 da Retro Gamer Nation, quer pela atribuição do galardão "Sizzler" no número 30 da revista Zzap! 64 Micro Action, onde alcançou uma classificação geral de 90%.
Em suma, Sherwood é um jogo que consegue pegar numa lenda clássica e dar-lhe de uma frescura que muitos títulos comerciais da "época dourada" não conseguiram, e embora o sistema de "respawn" dos inimigos, a exigência de tiros "pixel perfect" para acionar gatilhos e a ausência de "saves" possam deixar qualquer um de cabelos em pé, a fluidez da jogabilidade e a qualidade da banda sonora fazem de Sherwood um jogo essencial na coleção de qualquer "retro gamer".
A versão completa do jogo tem o custo simbólico de $3,99, mas a Psytronik Software disponibiliza a Sherwood Christmas Demo de forma totalmente gratuita.
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