Barbarian: The Ultimate Warrior
Com os cenários do Amstrad, a velocidade do Spectrum e o coração do C64: a derradeira versão no Atari XE/XL!
O "bug histórico" foi corrigido: Barbarian recebeu a versão definitiva de 8 bits no Atari XL/XE pela equipa da Vega. O jogo une cenários detalhados e velocidade extrema a vozes digitizadas do Amiga, correndo de forma fluida em apenas 64KB de RAM com todo o sangue e decapitações do clássico original.
Ficha técnica
O Jogo
Foi recentemente anunciado o lançamento de uma versão de Barbarian: The Ultimate Warrior para o Atari XE/XL, tendo sido indicado que a equipa de desenvolvimento reescreveu o jogo utilizando linguagem de máquina nativa, recorrendo a rotinas de código otimizadas a partir da versão para o BBC Micro, aos cenários do Amstrad CPC e a amostras de som digitalizadas da versão para o Commodore Amiga.
Se não bastasse estarmos na presença de um dos jogos mais emblemáticos e polémicos da era dos 8 bits — quem não se lembra da controvérsia que gerou a capa do jogo com os modelos semi-nús e do golpe de decapitação, que chegou a ser motivo de censura na Alemanha por violência extrema —, tendo conseguido a aprovação unânime da crítica especializada em qualquer das versões — não me recordo de muitos jogos que o tenham conseguido —, estas afirmações são mais do que suficientes para experimentar esta nova versão.
Recuando a 1987, tive a felicidade de jogar quer a versão do Commodore 64, quer a versão do ZX Spectrum, e pese embora a versão do Commodore 64 fosse manifestamente superior — alguns dos meus amigos não me podem ouvir dizer isto —, não consigo esquecer os momentos de alegria que o ZX Spectrum me proporcionou. Mais recentemente, tive a oportunidade de testar a versão para o Amstrad CPC e não há dúvida que graficamente é a mais apelativa das versões.
Portanto, o que todos queríamos, naquela altura, era a jogabilidade e o som do Commodore 64, os gráficos do Amstrad CPC e a velocidade da ação que o ZX Spectrum nos oferecia, e é isso mesmo que esta versão para o Atari XE/XL nos promete agora.
O enredo mantém-se fiel ao original: um jogo que nos transporta para o mundo de fantasia de Conan, O Bárbaro, no qual assumimos o papel de um guerreiro bárbaro cujo objetivo é derrotar o feiticeiro Drax, que raptou a princesa Mariana. No entanto, Drax promete libertá-la se um guerreiro conseguir derrotar todos os seus campeões antes de o enfrentar num duelo final.
A jogabilidade, também se mantém fiel ao original, sendo possível movimentar o joystick em oito direções diferentes e executar os oito movimentos de ataque/defesa com um único botão de disparo. A equipa manteve o movimento mais famoso do jogo: a decapitação e até o pequeno goblin verde que pontapeia a cabeça para fora da arena enquanto arrasta o corpo decepado pelas pernas está presente. A responsividade aos controlos é brutal, lembrando a velocidade do ZX Spectrum e a fluidez do Commodore 64, o que julgo dever-se às rotinas do BBC Micro, que sempre foi rápido no processamento, eliminando por completo qualquer sensação de delay.
Visualmente, esta versão é extraordinária e a conversão dos cenários do Amstrad CPC faz com que o jogo ganhe dimensão, graças à quantidade de pormenores nas texturas das arenas, bem como às cores saturadas e vibrantes, que nos afastam dos tons "lamacentos" e escuros do Commodore 64. Embora os sprites sejam mais pequenos que os das outras versões, mantêm o nível de detalhe exigido e proporcionam uma animação fluida, sem o color clash típico do ZX Spectrum.
Os pontos altos deste projeto são, sem dúvida, a música e os efeitos sonoros. A banda sonora é fiel à original, ou pelo menos muito semelhante àquela que o Commodore 64 nos ofereceu ao replicar os ritmos da banda sonora do filme Conan, O Bárbaro. O recurso a samples digitalizados do Commodore Amiga para criar os efeitos de voz, como o nítido Barbarian: The Ultimate Warrior, o som das espadas a brandir ou os gritos quando os golpes acertam, eleva esta versão a patamares inimagináveis.
Conclusão
Não sei se é a melhor versão de todas, até porque nisto de melhor é impossível sermos imparciais, há muita nostalgia e recordações que nos impossibilitam de manter a distancia necessária para essa avaliação, mas o que sei é que está muito boa e que gostaria de ter tido a possibilidade de jogá-la em 1987.
Se foram fãs do jogo nos anos 80/90 não percam esta oportunidade de o recordar.





